Filas é um famoso complexo arqueológico situado no Nilo, perto de Assuão, conhecido sobretudo pelo santuário dedicado à deusa Ísis. Os pilones monumentais, as colunatas, os relevos esculpidos e o elegante Quiosque de Trajano formam um dos conjuntos de templos mais impressionantes do sul do Egito. Embora sejam tradicionalmente chamados templos de Filas, os monumentos encontram-se atualmente na vizinha ilha de Agilkia, para onde foram transferidos no século XX a fim de evitar a sua inundação.
A história de Filas
Na Antiguidade, Filas era um lugar sagrado associado a Ísis, deusa da maternidade, da magia e da proteção. O seu culto estava intimamente ligado ao mito de Osíris e ao nascimento de Hórus, símbolo da realeza. O santuário atraía peregrinos de várias regiões do Egito e da Núbia e manteve a sua importância religiosa durante séculos.
A maior parte dos monumentos preservados pertence ao período ptolemaico. A construção do templo principal começou durante o reinado de Ptolemeu II Filadelfo, no século III a. C., e os seus sucessores ampliaram e decoraram o santuário. As obras continuaram durante o domínio romano. O conjunto combina tradições religiosas do antigo Egito com a arte e a cultura política do mundo greco-romano.
O templo de Ísis
O edifício principal é dedicado a Ísis. O seu plano inclui um pilone de entrada, um pátio aberto, um segundo pilone, uma sala de colunas e um santuário interior. Os relevos representam governantes a oferecer presentes aos deuses e cenas da mitologia egípcia. O mammisi, ou casa do nascimento, estava relacionado com as celebrações do nascimento de Hórus, filho de Ísis e Osíris. As imagens também reforçavam a ideia de que o poder real tinha uma origem divina.
O Quiosque de Trajano e outros monumentos
O Quiosque de Trajano, situado junto à água, é uma das estruturas mais reconhecidas de Filas. A sua colunata aberta destaca-se na paisagem do Nilo. Os relevos mostram o imperador romano Trajano a fazer oferendas às divindades egípcias. O complexo inclui ainda o templo de Hator, o quiosque de Nectanebo I, a Porta de Adriano e várias colunatas. Hator era associada à música, à alegria, ao amor e à maternidade.
A última inscrição hieroglífica
O templo de Ísis continuou ativo quando muitos outros santuários tradicionais já tinham deixado de funcionar. Uma inscrição datada de 394 d. C., gravada por um sacerdote chamado Esmet-Akhom, permanece em Filas e é considerada a última inscrição hieroglífica datada conhecida do antigo Egito. No final da Antiguidade, algumas partes do complexo foram adaptadas ao culto cristão e certas imagens antigas foram alteradas.
A transferência para a ilha de Agilkia
A subida do nível da água após a construção das barragens de Assuão ameaçava submergir a ilha original de Filas. No âmbito da campanha internacional da UNESCO para salvar os monumentos da Núbia, os edifícios foram desmontados, documentados e reconstruídos na vizinha ilha de Agilkia. O terreno foi remodelado para se assemelhar ao local original. Em 1979, os monumentos passaram a integrar o Património Mundial da UNESCO «Monumentos da Núbia desde Abu Simbel até Filas».
Visitar Filas
O complexo situa-se a sul de Assuão e é normalmente alcançado de barco. A aproximação pelo rio oferece vistas marcantes das colunatas e do Quiosque de Trajano. Vale a pena reservar tempo para conhecer o templo de Ísis, o mammisi, a Porta de Adriano e os relevos. Filas destaca-se tanto pela arquitetura como pela história do seu salvamento, que liga as antigas crenças, o período greco-romano, o cristianismo primitivo e uma importante operação de conservação do século XX.
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