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Exército de Terracota

O Exército de Terracota é um extraordinário complexo arqueológico situado perto de Xi’an, na província de Shaanxi, no noroeste da China. Milhares de guerreiros, cavalos e carros de barro foram criados há mais de 2.200 anos como parte do complexo funerário de Qin Shi Huang, o primeiro imperador a unificar a China. Segundo as crenças da época, o exército deveria proteger o governante na vida após a morte.

O Exército de Terracota faz parte do mausoléu do primeiro imperador da dinastia Qin. O sítio foi inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO em 1987. É uma das descobertas arqueológicas mais importantes do século XX e oferece informações valiosas sobre a organização militar, a arte e as técnicas artesanais da China antiga.

A criação do Exército de Terracota

O futuro imperador Qin Shi Huang nasceu com o nome de Ying Zheng em 259 a.C. A construção do seu futuro mausoléu começou em 246 a.C., quando ainda era um jovem governante do estado de Qin. Depois de conquistar os reinos rivais, Ying Zheng unificou grande parte do território da China atual em 221 a.C. e assumiu o título de Primeiro Imperador. O seu governo procurou reforçar o poder central e uniformizar a escrita, os pesos, as medidas e a moeda.

A construção do mausoléu prolongou-se por décadas e exigiu enormes recursos e uma organização complexa do trabalho. O imperador morreu em 210 a.C., mas o complexo funerário foi concebido como uma representação monumental do seu império. O Exército de Terracota era apenas uma parte do projeto: à volta do túmulo principal existiam numerosas fossas funerárias, sepulturas e vestígios de edifícios.

A descoberta de 1974

Durante mais de dois mil anos, os guerreiros permaneceram enterrados. Em março de 1974, habitantes locais que escavavam um poço perto da aldeia de Xiyang, na zona de Lintong, encontraram fragmentos de figuras de terracota. A descoberta chamou a atenção dos arqueólogos e deu início a investigações sistemáticas. Em pouco tempo, percebeu-se que não se tratava de uma estátua isolada, mas de uma enorme formação militar com milhares de figuras.

Em 1976 foram descobertas outras duas grandes fossas, posteriormente designadas fossas 2 e 3. As pesquisas continuam atualmente para estudar a organização do complexo, restaurar esculturas danificadas e desenvolver métodos de conservação. Grandes áreas do mausoléu ainda não foram escavadas e podem revelar novas descobertas.

Milhares de guerreiros com características próprias

As figuras têm dimensões quase naturais. A altura, a roupa e o equipamento variam conforme a posição e a função militar presumidas. Há soldados de infantaria, arqueiros, cavaleiros, condutores de carros e oficiais. Os penteados, os chapéus, as armaduras, os cintos, o calçado e as expressões faciais apresentam diferenças. A variedade dá a impressão de um exército real, e não de uma coleção de estátuas iguais.

Algumas partes do corpo foram produzidas com moldes reutilizáveis, mas os detalhes eram trabalhados manualmente. Os artesãos montavam as peças, modelavam rostos e penteados e acrescentavam elementos decorativos. Originalmente, as figuras eram pintadas com cores vivas. Depois da escavação, a exposição ao ar e as alterações da humidade provocaram a deterioração de alguns pigmentos, tornando a conservação da pintura remanescente uma tarefa difícil.

As três principais fossas

As figuras mais conhecidas estão expostas em três grandes fossas, com dimensões e funções presumidas diferentes. A fossa número 1 é a maior e contém longas fileiras de soldados de infantaria e carros de guerra. Um enorme pavilhão coberto protege o local e permite observar a formação a partir de passadiços elevados.

A fossa número 2 apresenta uma composição mais diversificada, com arqueiros, cavalaria, infantaria e condutores de carros. Os achados ajudam a estudar os diferentes ramos militares e a sua possível coordenação. A fossa número 3 é muito menor. A sua planta e a disposição das figuras levaram alguns investigadores a sugerir que poderia ter funcionado como posto de comando. Esta interpretação baseia-se na análise dos dados arqueológicos.

Armas, cavalos e carros de bronze

O complexo inclui muito mais do que figuras humanas. Foram encontrados cavalos de terracota, modelos de carros e numerosas armas reais de bronze. Entre os objetos estão pontas de flechas, espadas, lanças e componentes de bestas, que ajudam a compreender o equipamento do exército Qin.

Dois carros de bronze com cavalos, descobertos perto do mausoléu em 1980, estão entre as peças mais notáveis. São constituídos por numerosos componentes e apresentam detalhes decorativos de ouro e prata. Depois de uma restauração complexa, tornaram-se algumas das peças mais famosas do museu. Demonstram o elevado nível da fundição de bronze, da metalurgia e da engenharia na China antiga.

O mausoléu do Primeiro Imperador

As fossas do Exército de Terracota ficam a cerca de 1,5 quilómetro a leste do túmulo principal de Qin Shi Huang. O mausoléu é muito maior do que as famosas fossas dos guerreiros. Os arqueólogos identificaram vestígios de muralhas, edifícios, câmaras funerárias e numerosos túmulos associados. A área total do património mundial abrange dezenas de quilómetros quadrados.

O túmulo central do imperador ainda não foi totalmente escavado. Fontes escritas antigas descrevem um palácio subterrâneo e instalações funerárias extraordinárias, mas nem todos esses relatos foram confirmados pela arqueologia. Os investigadores avançam com cautela, pois a abertura do túmulo poderia danificar materiais frágeis e destruir informações importantes.

Visitar o museu

O Exército de Terracota fica no distrito de Lintong, a cerca de 35 quilómetros a nordeste do centro de Xi’an. É aconselhável reservar várias horas para a visita. O grande pavilhão sobre a fossa número 1 costuma ser o ponto alto, com milhares de figuras alinhadas. Outros espaços permitem observar mais de perto guerreiros individuais, armas, carros de bronze e resultados das investigações arqueológicas.

O complexo inclui também o parque arqueológico do mausoléu de Lishan. Se houver tempo, visitar as duas áreas ajuda a compreender melhor o conjunto funerário imperial. Antes da viagem, confirme os horários e as condições de entrada. O museu utiliza um sistema de reserva antecipada associado aos documentos de identificação, e os horários podem mudar.

A importância do Exército de Terracota

O Exército de Terracota é muito mais do que uma coleção de esculturas antigas. Fornece informações raras sobre a organização militar, o vestuário, as armas, as técnicas artísticas e o trabalho artesanal na China do século III a.C. As figuras realistas preservam detalhes pouco descritos nas fontes escritas, enquanto a dimensão do complexo reflete o poder e as ambições do Primeiro Imperador.

Hoje, o Exército de Terracota é um dos símbolos mais conhecidos do património cultural chinês. A sua importância reside na qualidade artística, no valor histórico e nas questões ainda em aberto sobre as áreas do mausoléu que permanecem por explorar.

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